quinta-feira, 28 de maio de 2009

A vida na aldeia da minha avó Lucinda

A minha avó Lucinda nasceu numa aldeia chamada vale da Saraça, que pertence á freguesia de Santo André das Tojeiras. Quando se casou mudou para uma casa que ficava numa aldeia próxima, Gaviãozinho.





















Figura 1- a minha avó Lucinda


A minha avó conta que a vida era extremamente dura, em vez de estar na escola a aprender, a minha avó andava com os pais e muitas vezes sozinha pelos campos a trabalhar. Em criança trabalhava de sol a sol.
Não tinha água potável, para terem água para consumir tinha de ir buscar á fonte que ficava a 1km de distância. Não havia luz, tinham candeeiros a petróleo, e candeias de azeite era como se iluminavam. A minha avó acordava às 6h da manha, e o que faziam quando saiam de casa era procurar trabalho pelas aldeias, como por exemplo; acartar pedras numa canastra á cabeça para fazer paredes; semear trigo, centeio, milho…; guardar gado, para conseguirem ganhar “o pão de cada dia”. Depois de o dia inteiro de trabalho, se não fica-se em casa dos patrões, vinha para casa a pé, já de escuro, muitas vezes ficava muito longe.
























Figura 2-lanche pelo campo


Quando chegávamos a casa é que jantávamos, couves com batatas (por exemplo), não se comiam ovos, nem galinhas porque vendiam para conseguirem ganhar algum dinheiro.Com este dinheiro compravam roupa, sapatos.

A minha avó descreveu alguns dias de trabalho:
“Abalava de manha com as cabras por aqueles campos todo dia, descalça, com muitas feridas nos pés, e a chover. Nem que chovesse eu não podia vir-me embora. Já sol-posto regressava a casa cheia de fome, porque os meus pais não tinham comida que eu pudesse levar para a merenda. Quando me deitava tiravam-me a roupa toda por causa dos piolhos.”
“Com 15 anos comecei a namorar, e ia a pé para as charnecas do Tejo a apanhar azeitona, levávamos a nossa merenda para 15 dias de trabalho, depois desses 15 dias regressávamos a casa para vir buscar mantimentos para mais 15 dias e voltávamos as charnecas.”


















Figura 4- a minha avó, o meu avô, o meu pai e o meu padrinho.





Tânia Bento nº 23 9ºC

Relato de duas pessoas que viveram o 25 de Abril

No dia de 25 de Abril de 1974, em Moçambique, Lúcia Gonçalves:
“Às 2h da tarde fiz um exame de análise infinitesimal na faculdade de economia de Lourenço Marques actual Maputo. Só ao fim do dia as autoridades anunciavam que tinha Havido uma sublevação em Lisboa e que estava tudo sob controlo, mas as pessoas comentavam em segredo que tinha havido um golpe de estado, no dia a seguir já não houve aulas e começou a viver uma incerteza.”

No dia de 25 de Abril de 1974,em Moçambique, Manuel Afonso:
“No dia 24 de Abril pelas 22 horas em Nampula, estava a preparar-me para ir ao cinema com os meus colegas militares. Cerca das 22:30 quando se estava a decorrer o filme, foi interrompido, para anunciar a todos os militares que se encontravam naquela sala, para regressarem ás unidades militares o mais rápido possível, porque estava a acontecer um golpe de estado em Lisboa, no qual nessa noite ficámos em prevenção ouvindo minuto a minuto a rádio, e o que se ouvia era que as ruas de Lisboa escorriam sangue palas valetas. Antes do 25 de Abril nunca tinha utilizado nenhuma arma militar, a partir do 25 de Abril andei sempre armado até ao dia 21 de Setembro de 1974 (dia que acabei o meu serviço militar).”

























Figura 2 – o meu tio Manuel Afonso, em Nampula.

























Figura 1 – o meu tio na caserna, vestido com a farda.


Tânia Bento nº 23 9ºc